quinta-feira, 7 de abril de 2011

Os Refugiados de Barrancos - documentário

Já anteriormente tínhamos informado da realização de um documentário espanhol sobre os refugiados de Barrancos durante a Guerra Civil de Espanha. É uma excelente lição de história sobre um assunto que, em Portugal, teima em ficar esquecido. Se o destaque vai para o Tenente Seixas, da Guarda Fiscal, por ser o comandante operacional das várias forças militares que vigiavam a fronteira devido à Guerra Civil ( o que prova o "estatuto" da GF na raia terrestre, como nos diz Maria dulce Simões, abaixo), e por ter ocultado um segundo campo não autorizado, não podemos também esquecer a acção do tenente Soares da GNR, que fez frente aos partidários de Franco que disparavam contra os refugiados que já se encontravam do lado da fronteira portuguesa. "(...) A fronteira de Barrancos era vigiada desde Agosto de 1936 por militares do Regimento de Infantaria 17 de Beja, sob ao comando do capitão Aristides Coimbra, por forças da Guarda Nacional Republicana sob o comando do tenente Oliveira Soares, por uma Brigada Móvel da (P.V.D.E) dirigida pelo agente Júlio Lourenço Crespo, e por militares da Guarda Fiscal. O responsável pelo comando técnico das operações no terreno era o tenente António Augusto de Seixas, comandante da Guarda Fiscal da Secção de Safara. Esta responsabilidade comprova o poder da Guarda Fiscal na fronteira, apesar de contestado por outras organizações militares destacadas para esta “missão” (Simões, Dulce, Os Refugiados da Guerra Civl de Espanha)-


OS REFUGIADOS DE BARRANCOS (clique para ver o documentário)


Consulte artigos sobre este tema no nosso site



Documental de Producciones Mórrimer. Sinopsis: Septiembre de 1936. Los últimos pueblos republicanos situados junto a Portugal son conquistados por las tropas del general Franco. Al igual que en Badajoz y otras poblaciones, la represión que desatan es brutal. El apoyo del dictador portugués Salazar a los golpistas no hace aconsejable huir hacia Portugal, pero para muchos es su única salida. De esta manera, cientos de personas deciden cruzar la frontera perseguidos de cerca por los sublevados. El procedimiento habitual de las autoridades portuguesas es entregarlos a sus aliados franquistas, que proceden a fusilarlos sin tardanza. Sin embargo, gracias a la humanitaria intervención del teniente portugués António Augusto de Seixas, se crean dos campos de refugiados junto a la localidad de Barrancos para alojar y proteger a este grupo de españoles.

sábado, 26 de março de 2011

Posto Fiscal de Brufe e contrabando na serra Amarela

O Sr. Eliseu Seixas Aguiar enviou-nos mais uma foto histórica, trata-se do Posto Fiscal de Brufe, Cutelo, Secção do Gerês, no ano de 1931.
Publicamos, conjuntamente, uma excelente entrevista ao Sr. João Martins que, em tempos, se dedicou ao contrabando nesta zona da raia terrestre, percorrendo os carreiros da serra Amarela.
Vamos verificando, com agrado, que os velhos carreiros percorridos pelos contrabandistas e guardados pelos guarda fiscais estão a ser reabilitados pelas comunidades locais, havendo já dezenas de percursos pedestres por todo o pais, normalmente designados por "Rotas do Contrabando", e percorridos por centenas de pessoas. Nalguns já há figurações "históricas" com simulações de contrabandistas e guarda fiscais.
Poderiam, é claro, os velhos postos da Guarda Fiscal, abandonados e vandalizados terem alguma utilidade nestas "Rotas do Contrabando", por exemplo, como "postos-museu", locais para descanso e confecção de refeições, ou até dormida dos caminhantes e turistas.

Custódio Duarte


João Martins, um contrabandista de Gondoriz

João Manuel Martins vive no lugar da Refonteira, em Gondoriz, freguesia de onde é natural e onde sempre viveu e, tal como muitos outros terrabourenses, para sobreviver, foi obrigado a fazer contrabando entre Portugal e Espanha.
Hoje, este gondoricense que já conta com 80 anos é um dos poucos contrabandistas ainda vivos e conhece, como a palma da sua mão, a rota do contrabando onde, naquele tempo, andou juntamente com dezenas de homens terrabourenses, principalmente, de Brufe, Gondoriz e Cibões.


Este contrabandista garante que todo aquele que se aventurava a vencer as agruras da Serra Amarela e a desafiar a vigilância zelosa da “guarda” tinha de ser um bom conhecedor dos trilhos da montanha, de possuir um grande sentido de orientação, de ter muita disciplina e, ainda, de ter espírito de sacrifício, entreajuda e solidariedade.

Este gondoricense afirma à nossa reportagem que a pé, durante a noite e no silêncio da noite,os caminhos na Serra Amarela eram calcorreados por todos aqueles que faziam do contrabando o seu ganha pão. “Era um negócio de tostões, mas era a minha única fonte de receita. Naquele tempo, ganhava-se muito pouquinho, mas, naquela época, não tínhamos onde ganhar dinheiro. Sempre eram alguns míseros tostões que entravam na nossa casa!” Às vezes, não ganhavam para a despesa porque quando transportavam para Espanha, por exemplo, ovos e tinham de fugir às perseguições da “guarda”, partiam-nos e lá se ia “por água abaixo o nosso pequeno investimento”. Tudo era feito a pé e sempre que os ovos rareavam “chegávamos a ir comprá-los muito longe. Era uma vida escrava” lamenta-se. “Às vezes, saíamos com os ovos acomodados em palha nas mochilas e chegávamos a Espanha com eles todos partidos. Não se aproveitava nenhum ovo!”
Os contrabandistas, da rota da Serra Amarela, levavam para Espanha principalmente ovos, azeite e sabão e para Portugal podiam trazer produtos, tais como: boinas, botas, meias, tabaco, chumbo para carregar as espingardas, mas o produto que mais “trazíamos eram enxadas. As autoridades nunca revistaram a minha casa porque nunca houve denúncias. Contudo, se o fizessem nunca encontrariam nada. Tudo o que eu trazia de Espanha era escondido, principalmente, no meio do monte”.
Os produtos que levavam de cá eram comprados nas “vendas” das aldeias ou aos lavradores locais, mas, às vezes, quando os ovos eram insuficientes iam comprá-los ao concelho de Amares, nomeadamente a Caldelas, a Rendufe e à Feira Nova.
De Brufe até Espanha, percorrer o caminho, demorava pouco mais de 4 horas, mas de Gondoriz até Torneiros a “caminhada levava de 7 a 8 horas. Mas este tempo podia ser bem maior! Tudo dependia do caminho. Só conseguíamos fazer neste tempo, se fossemos pelo cimo da Serra Amarela e sem qualquer tipo de percalço”.
Na Serra Amarela, a caminhada era feita normalmente à noite, em silêncio, sem fumar, em grupo e em fila indiana. “Às vezes, percorria-se a rota do contrabando de dia, principalmente, quando estava nevoeiro”. Na frente da fila, que podia atingir umas boas dezenas de metros, ia sempre alguém que conhecia bem os trilhos. “Chegámos lá a ir 75 homens que formavam uma fila com uma distância como daqui de Gondoriz a Terras de Bouro. Vergados pelo peso das nossas mochilas, íamos separados para não sermos apanhados e, às vezes, quando desconfiávamos que podia aparecer a guarda, púnhamos na dianteira, muito distante de nós, alguém que levava um fardo de pouco valor e, quando era interceptado pela guarda, fazia um alarido tal que nós, mesmo a uma distância considerável, ouvíamos e fugíamos sem sermos apanhados. Outras vezes, pressentíamos a presença da guarda e tínhamos de desviar-nos para o lado do Lindoso, o que nos atrasava muito e nos fazia aumentar o tempo da caminhada”.
No seu tempo, havia três postos da guarda fiscal: um no Campo do Gerês, outro em Carvalheira e outro em Vilarinho da Furna. Quando os guardas os interceptavam, gritavam “larga”, disparavam para o ar e quando já não tinham tiros rolavam pedras pelo monte abaixo. “Os guardas sempre que nos apanhavam, tiravam-nos as coisas todas e sempre que fugíamos da autoridade corríamos muitos riscos e perigos. Andar no meio da Serra Amarela era muito perigoso porque havia sítios que se lá caíssemos, morríamos e apodrecíamos sem que ninguém nos encontrasse. No Inverno, era difícil devido, principalmente, à neve, ao gelo e ao vento. A neve e o gelo conservavam-se quase até Abril no alto da serra o que tornava muito perigosos estes trilhos.
A víbora e o lobo nunca constituíram ameaças. “Sempre que nos sentávamos para descansar sacudíamos a vegetação para afugentarmos as víboras. Cheguei a ver o lobo sozinho, mas não se atira a ninguém!”
Aos oitenta anos, este contrabandista gondoricense que “vende frescura”, disponibilizou-se para nos acompanhar e mostrar “in loco” as armadilhas que esconde a Serra Amarela. Informou-nos que percorreu o trilho do contrabando recentemente. Calcorreou, juntamente com o Dr. Manuel Martins a Serra Amarela pelo lado do Posto Emissor do Muro e, também fez, juntamente com o nosso ilustre doutor, a caminhada de Brufe a Torneiros.


Publicado no jornal "Geresão", em 20 de Abril de 2010
In http://terrasbouro.blogspot.com/2010/04/joao-martins-um-contrabandista-de.html

terça-feira, 15 de março de 2011

Faleceu o Tenente Coronel Calado Vilela




Faleceu o Ten Cor Armindo Calado Vilela.
Prestou serviço no Aeroporto de Lisboa e mais tarde esteve muito ligado ao Serviço de Fiscalização Especial, tendo sido comandante da 7ª Companhia.

Bom amigo.
Paz à sua alma.

Publicado em "Guarda Fiscal", a que agradecemos.

sábado, 12 de março de 2011

Guarda Fiscais humanizaram a GNR


Hoje apeteceu-me escrever algo sobre a integração da Guarda Fiscal na Guarda Nacional Republicana, vista e sentida à minha maneira.Em 05 de Outubro de 1995 tomei posse do Comando o Posto da GNR de Melgaço, uma vila muito bonita do Alto Minho. Ali fui encontrar vários camaradas oriundos da GF. Passados uns tempos de comando constatei que havia diferenças na forma de tratamento da população entre os nossos camaradas e os oriundos da GNR. Os nossos eram mais diplomatas, mais sensíveis às situações com que deparavam no dia a dia, enquanto que os camaradas "nativos" da GNR, eram agressivos e pouco sensíveis, provavelmente da instrução que lhes foi incutida, durante a formação.

Durante 6 anos que comandei esse Posto, nunca tive problemas com o efectivo consegui grande harmonia entre todos os camaradas, mas o que mais me deu orgulho foi em ouvir por parte da população foi estas palavras " a Guarda Fiscal veio humanizar a Guarda Nacional Republicana".
Nesta altura no Comando Territorial de Viana do Castelo a mioria dos Comandantes de Postos eram oriundos da Guarda Fiscal grandes profissionais que souberam adaptar-se à nova realidade e que não deixaram ficar mal a nossa Guarda Fiscal.

Um abraço,

José Vilarinho

quarta-feira, 2 de março de 2011

Histórias da Vida Fiscal - o correio nos postos fiscais

Nos velhos tempos da Guarda Fiscal ( anos 70 ) face às escassas verbas que eram atribuídas para expediente ( consumos de secretaria ), muitos comandantes de Posto quando recebiam o correio da Secção abriam os envelopes com cuidado, viravam-nos religiosamente descolando as suas partes ao vapor de água quente para depois, com novo endereço, serem reenviados para o Comando da Secção com correio evitando assim o consumo de envelopes novos. Para os colar usavam a seiva das cerejeiras e de outras árvores diluida em água outras vezes farinha de centeio e lá conseguiam deste modo ultrapassar dificuldades graças a tanta imaginação...

Na maioria dos Postos não havia o luxo de ter " em carga " uma máquina de escrever daí que todo o expediente a enviar era escriturado à mão com uma caneta de pau feita artesanalmente com um aparo atado na sua ponta. Recordo um comandante de Posto cuja letra era um autêntico rendilhado, verdadeira escrita de arte. A " Nota Diária " ( quem não se lembra ? ) tinha que ser enviada obrigatóriamente todos os dias e na maioria das vezes com a verba : Negativa. Mesmo assim lá ia o sacrificado do guardinha levar " a dita cuja " ao posto de Correios mais perto mas convenhamos que alguns deles a 4 ou 5 km de distância, caso dos Alares - Secção da Zebreira - e Fraldona- Secção de Castelo Branco.

Luis Infante

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Histórias da Vida Fiscal - O aquecimento com "picão"

Nalguns Postos e até Secções da Fronteira
Terrestre o aquecimento no inverno era original. Nada de
electricidade o seu consumo era proibitivo pois as verbas atribuidas
não suportavam tais gastos. Aproveitava-se então o serviço de escala "Coluna Volante" - nunca menos de dois dias no campo - para recolher as raizes das estevas, urze e outros arbustos para fazer uma queimada daí resultando o célebre " picão " ( moínha ) recolhido em
sacos e transportado depois pelo jeep da Secção. E assim,numa
braseira de chapa ou bidon cortado o plantão e a pernoita conseguiam
dominar o frio das longas noitadas de inverno.

É bom recordar estas vivências da Guarda Fiscal de
então e trazê-las a terreiro para que esta nova vaga de GNRs saibam
quanto foi difícil servir na Guarda Fiscal, longe, mas muito longe das
benesses , do tudo ter nos dias que agora se vivem.

Luís Infante

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Guardas Fiscais junto a ponte sobre o Rio Homem - 1931


Mais uma excelente foto, do espólio do Sr. Tenente Seixas da GF, enviada pelo seu neto e nosso colaborador, Eliseu Seixas Aguiar. Trata-se, conforme se pode ler na legenda, uma imagem captada junto de uma ponte de madeira sobre o rio Homem, no caminho para a Portela do Homem.
Podemos observar, numa das margens, três guarda fiscais e, em cima da ponte com o habitual capote negro, certamente o, então, Alferes Seixas.
Em 2 de Agosto de 2010, publicámos uma foto da Portela do Homem, 1931, aquando de uma visita do Alferes Seixas àquele posto. Estamos em crer que esta foto foi tirada durante essa mesma viagem à Portela do Homem. Referimos, também, mas erradamente, que se tratava da antiga cavalaria da GNR. Pelo estudo que o Sr. Sargento - Chefe Sílvio Maldonado nos enviou, ficámos a saber que a cavalaria, na GF, foi extinta em 1916, em época anterior, pois, à da foto (1931).
Em comentário ao dito post de 2 de Agosto de 2010, já o nosso amigo e colaborador Antero Neto nos tinha informado do possível equívoco: " Será cavalaria, ou será o meio de transporte dos guardas? Lembro-me que o meu falecido pai se deslocava para o Posto das arribas a cavalo numa mula que tínhamos para o efeito. Nessas alturas colocava as polainas e as esporas e fazia um figurão".
De facto, situando-se muitos dos postos da GF em locais ermos e de difícil acesso só a pé ou cavalo se lá conseguia chegar.

Aproveitamos a publicação deste post para solicitar aos nossos colaboradores a continuação do envio de material para publicar. Só assim este blog poderá continuar a ter vida.

Cumprimentos,
Custódio Duarte

sábado, 29 de janeiro de 2011

Posto Fiscal do Retiro, Campo Maior - Abandonado

Meus Caros Camaradas Picachouriços,

No dia 26JAN2011, tive a ( infeliz) ideia de ir visitar um local onde prestei serviço nos anos 66 e 67. Um sítio que adorei e onde fiz além de camaradas, Grandes Amigos. São recordações que em condições normais jamais serão apagadas da memória de quem serviu e contribuiu para o bom nome desta que foi uma Grande Corporação e que se chamou Guarda Fiscal. Estou a referir-me, mais precisamente, ao Posto do Retiro, Campo Maior.
É triste e lamentável que quem assumiu responsabilidades e se fez fiel depositário de todo o Património da GF, deixe este posto cair em ruínas, aos olhos de tantos transeuntes que passam ali diariamente. É uma vergonha e não tenho mais palavras para qualificar a baixa responsabilidade da entidade responsável.
Aqui deixo algumas fotos do Ex-Posto da Guarda Fiscal, do Retiro - para aqueles que não conhecem fica situado entre Campo Maior e Badajoz.
Brevemente mais algumas fotos.
Um abraço,
José Jorge





quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Posto de Vale de Grou e habitações das famílias dos Guarda Fiscais - presume-se 1936/7

ano de 1936/7 (presume-se)

Publicamos mais uma foto histórica enviada pelo Sr. Eliseu Seixas Aguiar, que faz parte do espólio do seu avô, Tenente Seixas, que foi comandante, nos anos 30 do século passado, da Secção de Safara a que pertencia o Posto de Vale de Grou.

Conforme se pode ler na "legenda" da fotografia, escrita pelo punho do próprio Tenente Seixas, as construções a branco são as novas casas das famílias dos Guardas Fiscais, por ele mandadas construir, constando as instalações do posto a cor mais escura.

Já sabemos da dignidade de carácter e respeito pelo próximo do Sr. Tenente Seixas na sua acção em prol dos refugiados da Guerra Civil de Espanha - que lhe custou a sua carreira como oficial da Guarda Fiscal. Se compararmos as condições em que viviam as famílias dos Guarda Fiscais, do mesmo posto de Vale de Grou (foto abaixo), quando iniciou as suas funções como comandante da Secção de Safara, e como passaram a viver após a construção destas quatro novas casas, teremos concluir que o bem estar dos guarda fiscais e das suas famílias era uma prioridade no seu exercício de comando. Foi com acções como esta que se foi construído o espírito da Grande Família que era a Guarda Fiscal.

Ano de 1932 (presume-se)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Imagens da Vida Fiscal - José Euzébio

Julho de 1983


O amigo e colaborador José Euzébio enviou-nos algumas fotografias que documentam os seus tempos na GF, desde o alistamento no Centro de Instrução de Queluz, em 1983, à sede do Batalhão nº 2 em Évora, em 1991, já próximo da extinção da GF ( 1993). Constam, também, fotos em uniformes antigos da GF, tiradas aquando da participação do José Euzébio nas comemorações do centenário da Guarda Fiscal, em Lisboa, Restelo, no ano de 1985.


Julho de 1983


Posto do Alvor, 17 de Agosto de 1983 ( 1º plantão do José Euzébio)

Ou melhor, sede do Batalhão nº 2 da Guarda Fiscal, Évora, 21Setembro 1991



Leia-se: Sede do Batalhão nº 2, Évora, 21 Setembro de 1991

21 de Setembro de 1985

21 Setembro de 1985

21 Setembro de 1985

1983



Junho de 1983



Junho de 1983


21 Setembro de 1985


domingo, 5 de dezembro de 2010

Palavras finais ao serviço da GF proferidas pelo Sr. Major Infante no Batalhão 2, Évora, a 30SET1993


Meu Comandante, Colegas, Amigos,

Vou centrar as minhas palavras e procurar captar a vossa atenção para
três pontos, aproveitando a oportunidade última ao serviço da Guarda
Fiscal.
1º Ponto : O MEU CONTENTAMENTO DESCONTENTE
Permiti-me parafrasear o nosso Épico mas ele mais do que ninguém soube
transmitir aos Portugueses as suas mágoas, a sua tristeza, a realidade
do Portugal de então. Longe de mim querer equiparar-me a tão grande génio
mas como ele espero saber transmitir-vos e é com pesar que o
faço,algumas peripécias ocorridas nesta Guarda Fiscal atribulada.
Vou reportar-me ao após 1968/69. Não vou citar nomes mas tão somente
avivar pinceladas que ficaram bem gravadas na feitura do actual
retrato da Guarda Fiscal.
De uma maneira ou de outra, uns com mais responsabilidades que outros,
fomos artistas activos na pintura desse quadro e não podemos
eximir-nos dessa responsabilidade contudo se tivessemos sido bons
"Picassos " teríamos decerto saído airosamente igualados na luta
porque podíamos ter mudado o rumo aos acontecimentos.
É, pois , com profunda mágoa que após 25 anos de entrega do melhor da
nossa vida à Instituição que nos propusemos servir, assistimos agora e
sentimos que se está a esvair na indefinição, na dúvida de um futuro
incerto e vemo-la afundar-se num mar que irá decerto tragar as nossas
últimas esperanças.
Não quero ser pessimista mas tudo indica que não ser fáceis os caminhos
de mudança na vida de cada um de nós. Mas regressemos uns anos atrás e
vejamos embora a traços largos algumas " proezas " que conduziram ao
funeral deste Corpo Militar centenário mas desprestigiado e aviltado
nas suas raízes e nos seus homens.
Aceitamos a evolução, as novas técnicas, as exigências dum mundo
moderno mas não poderemos aceitar a maneira que apelido de leviana e
de segundas intenções como foi conduzida a problemática da extinção da
Guarda Fiscal.
Adivinhava-se, sentia-se que havia alguém preocupado em destruir uma
obra que tantos no decorrer de mais de cem anos edificaram com suor e
lágrimas mas sempre sorrindo, acreditando num futuro melhor.
A obra ruíu, não teve futuro minaram-lhe os alicerces, caíu mas caíu
de pé porque os homens que a edificaram continuam com a chama acesa do
passado que jamais esquecerão.
Lembro um Comandante-Geral que já não pertence ao reino dos vivos que
muito fez pela Guarda Fiscal e a quem os Oficiais sobremaneira devem
estar gratos. Quantas voltas não terá já dado no seu túmulo,
sumindo-se nas tábuas carcomidas, face às dolorosas etapas de um
delapidar de história inacreditável.
Quem não se lembra também de um General, embora não das minhas graças,
mas aqui lhe presto a minha homenagem por ter sabido manter firme a
chama da nossa Missão, não permitindo que as fronteiras do País
seguissem o rumo do Serviço de Estrangeiros ? Aqui já um aviso que
conduziria à derrocada. Esta foi a primeira arremetida do adversário
mas o cavar da sepultura, palmo a palmo, teve o seu início naquelas
célebres palavras proferidas na Comunicação Social pelo
Comandante-Geral de então dizendo aos quatro ventos que os militares
que comandava não passavam de uns corruptos. Fomos enxovalhados,
tomou-se a parte pelo todo. Sabíamos que os homens da Guarda Fiscal
como de qualquer outra Instituição, civil ou militar, não passa ao
lado do lucro fácil porque todos sabemos que a carne é fraca e todos
temos telhados de vidro. Todavia creio que foram palavras muito duras,
infelizes ditas por um Chefe apregoando muito convicto que os seus
subordinados eram homens a abater porque eram desonestos.
Fomos originais no Comandante que tivemos, porque fomos vilipendiados
no destino que nos foi traçado - a derrota total. Daí o apelido de "
coveiro da Guarda Fiscal ".
Por todo o lado começou a pairar o descontentamento. O mal estar e as
medidas de afrontamento continuaram e as esperanças de sobrevivência
tornaram-se, no dia a dia, cada vez mais ténues. O nosso futuro estava
em jogo mas nunca ninguém teve a coragem de vir a terreiro enfrentar a
realidade e dizer não ao fim que se avizinhava.. Culpo-me a mim também
mas não posso perdoar àqueles oficiais que sempre estiveram junto do
poder de decisão num tú cá , tú lá ,nada terem feito de palpável para
se evitar o descalabro porque eles sabiam, estavam a par da rota
planeada.
Conhecidas que foram as primeiras medidas adversas o marasmo tomou
conta das nossas mentes, contagiou a nossa vontade de lutar. Lembro
alguém dizer :Que se passa com a Guarda Fiscal ? A GNR discordou, a
Polícia manifestou-se mas a Guarda Fiscal nada fez, nada disse que
pudesse contribuir para o volte-face difícil mas não impossível. Não
nos unimos, não demos as mãos e o score de resultados tocou a raia do
negativismo.
Serviços Sociais, emolumentos, tanta promessa bonita que não foi
cumprida, tanto dinheiro que nos foi sacado mês a mês, tantos imóveis
que foram erguidos com as migalhas do nosso suor, tanto dinheiro que
rendeu dinheiro... Tudo isto, tudo quanto era dos seus
beneficiários-contribuintes foi entregue, de mão beijada, indo
enriquecer um Património alheio em vez de, em tempo oportuno, ter
contribuido para o bem estar de todos os militares que agora se sentem
espoliados duma herança que por direito de Estatuto e moralmente lhes
pertencia.
Até o S.Mateus nos "roubaram".Também entrou na voragem dos tempos e
estou convencido que lá dos altos céus ou das peanhas dos tronos
existentes nos diversos do Minho ao Algarve, dos Açores ou da Madeira,
sente-se envergonhado por ter sido desprovido das honras que ano a ano
lhe eram prestadas. Conseguiram calar a tradição secular, de raízes
históricas, das paradas dos Jerónimos.
Não haja dúvidas de que os anos de 1992 e 1993 são mesmo para esquecer
porque "consumatum est". Tudo acabou.

2º PONTO : AOS QUE FICAM
Começarei por desejar os melhores votos de sucesso na vossa nova etapa
de vida que breve ireis encetar.Não vai ser fácil aceitarem-se
decisões de que bem lá no fundo se discorda.
Alguns irão continuar vestindo novas roupagens no intuito de outros
voos e estou certo que todos saberão aceitar as novas regras de jogo e
cumprir com brilho as tarefas que lhes forem cometidas. Permiti-me
contudo que vos alerte e vos diga que é tempo de não pensardes no
singular, no eu de cada um. Pensai , falai e agi no plural e atentai
na plavra nós porque só assim, em união, em comunhão de desejos
podereis vencer, de contrário ganhareis batalhas mas perdereis a
guerra. Aqui a razão desta nossa guerra perdida...Outrossim lembrai
que além de militares e acima de tudo sois humanos com altos e baixos.
Os que comandarem dignifiquem-se com posições assumidas, bem ponderadas
nunca desprestigiando os subordinados com atitudes negativas.
Esquecei, finalmente, os nossos erros, o bem que podíamos ter feito e
não fizemos e aproveitai por outro lado a faceta da nossa parte boa
mas, no fundo, e disso podeis ficar certos que todos demos quanto
podíamos dar.
Para vós pois, para vossas famílias, aqui ou em casa de cada um todo o melhor.

3º PONTO : AOS QUE PARTEM
Falando em terminologia estratégica chegámos ao " Dia D " . Cada um,
nas opções que lhe foram facultadas, escolheu a que melhor se
coadunava com os seus objectivos. Mas é certo que augurávamos que o
final da nossa carreira ficasse imbuído de outras nuances que nos
levassem a partir com satisfação de vermos a nossa obra continuada.
Tal não aconteceu. Partimos com o barco no fundo.
Vamos acomodarmo-nos à ideia de que pelo menos não vamos mudar de
indumentária, continuaremos a ser militares da Guarda Fiscal. Lá fora
faremos eco da nossa continuidade. Saudosismo ? Talvez realidade dos
factos.
Perante tudo quanto disse realço de facto o meu contentamento
descontente porque podíamos partir com honra continuando dentro do
mesmo barco, a remar naquelas águas bem conhecidas de todos nós mas
as ondas foram alterosas de mais e empurraram-nos para paragens
desconhecidas. Vamos enfrentar a realidade e alimentar a esperança de
que a tradição, o nosso historial não morra. No limiar da vida que
agora vamos abraçar saberemos estou certo defender as regras que nos
nortearam enquanto militares da Guarda Fiscal.
Obreiros que fomos vamos agora apostar firme na riqueza dos seus cem
anos oferecendo nos dias que nos restam a vontade de tudo fazer em
prol daqueles valores que aprendemos e queremos preservar.
Para todos vós o aceno da minha admiração e a minha disponibilidade
para tudo quanto possa dignificar a Guarda Fiscal que servimos.
Évora 30 de Setembro de 1993

domingo, 28 de novembro de 2010

Posto da Tomina, Secção de Safara, instalações das famílas dos GF + Relato da Vida Fiscal, por José Jorge


O sr. Eliseu Seixas Aguiar enviou-nos mais esta "histórica" fotografia sobre as habitações das famílias dos Guarda Fiscais. Trata-se do Posto da Tomina, Secção de Safara, que no início dos anos 30 foi comandada pelo sr. Tenente Seixas, avô deste nosso colaborador.



Desconhecemos se o posto, ou o que dele resta, ainda existe. Sabemos que na Tomina, perto de Santo Aleixo da Restauração, ainda podemos ver as ruínas do secular convento da Tomina, conforme foto abaixo.



O nosso colaborador José Jorge enviou-nos um excelente relato de como era a vida nos postos da raia terrestre no início dos anos 60. Por coincidência, o José Jorge efectou serviço nesta zona da fronteira e pertenceu à Secção de Safara, pelo que faz todo o sentido inserir o seu testemunho conjuntamente com a foto das habitações das famílias dos guarda fiscais do posto da Tomina.

Dado o interesse, abrimos uma página no nosso site que designamos " HISTÓRIAS DA VIDA FISCAL". Relatos como este do amigo José Jorge são sempre bem - vindos. o endereço para o envio é: picachouricos@gmail.com



A VIDA FISCAL NA FRONTEIRA TERRESTE NO INÍCIO DOS ANOS 60, por José Jorge

Em primeiro lugar, quero fazer aqui uma rectificação referente ao Posto Fiscal da Foz dos Pardais. Quero informar que, por lapso meu, disse que pertencia à Secção de Safara, o que não é correcto, pertencia, sim, à Secção do Alandroal.
O Posto em que eu prestei serviço na Secção de Safara, desde o final do ano de 1963 até Outubro de 1964, foi no Posto de Vale de Malhão, que tinha por Posto mais próximo o Posto de Vale de Grou.
Neste Posto de Vale de Malhão, havia boas condições habitacionais, pois a construção da (casa) Posto, como as habitações para os guardas casados, eram novas, e já tinham algumas condições de habitabilidade, embora a luz que existia fosse produzida por candeeiros a petróleo. A água que se consumia no Posto, e nas habitações, provinha de um poço que se encontrava a mais ou menos 80/100 metros, e no qual havia uma bomba manual com uma grande roda em ferro. Assim, todos os dias logo pela manhã, 7/8horas, íamos quatro guardas fiscais, durante uma hora ou até hora e meia, manejar à força de braços aquela roda de ferro que fazia movimentar a bomba e assim se enchiam os depósitos de água para todo o consumo.
O efectivo do Posto era composto por seis praças e um cabo, sendo este o comandante do Posto. Se a memória não me falha, nenhum de nós, guardas, tinha transporte e todos os dias, excepto sábados, domingos e feriados, tinha que se deslocar um guarda a Santo Aleixo (a pé) para fazer o transporte de algum possível correio, só que 70/80 % das vezes não havia correio. O guarda que fazia este serviço, depois de percorrer 24 Km a pé, à noite ainda ia fazer o serviço de aguardo de 4/6horas. Durante a noite é que era um problema, pois os lobos chegavam a escassos metros da zona habitacional. Quanto ao contrabando existente na área do Posto, era muito reduzida e insignificante, como por exemplo: 2/3 Kg de toucinho, meia dúzia de pratos de pirex,1/2/ou 3 pares de sapatilhas e nada mais.
A aquisição de alimentos era um problema pois a aldeia mais próxima que tínhamos ficava a 12 Km, Santo Aleixo da Restauração. Durante a semana, quando íamos ao correio,comprávamos o necessário e quase todas as compras ficavam na loja do srº. Rodrigues. Ao sábado, ia um Srº. com 2 ou 3 azininos (burros) fazer o transporte dos nossos produtos e nós no fim de cada mês pagávamos a esse Srº. Quero recordar que na altura um Guarda Fiscal recebia de vencimento 1150$00, ilíquido. Líquido ficava-se pelos 950/960$00, o equivalente a 4,80euros de hoje. Como muitos sabem, éramos obrigados a andar 24h00 por dia fardados, excepto quando pedíamos uma autorização para trajar civilmente. E assim era a nossa vida, férias só tínhamos direito a elas decorridos 1 ano de serviço e ainda tínhamos de ter a sorte de o cabo, comandante do Posto, não informar que o guarda não merecia férias ( na altura se denominava licença).

Quanto ao Posto da Foz dos Pardais, só quem lá esteve é que pode avaliar aquilo que nós, G.Fiscais, sofremos naquele tempo. O Posto era isolado. Não havia qualquer caminho de acesso numa distancia de mais ou menos 3 Km. O caminho que existia era uma vereda. Ali, nós, os Guardas, já quase todos tínhamos transporte próprio ( um ciclomotor), o meu era uma Famel Foguete que comprei, em segunda mão, pelo preço de 3.600$00 (o equivalente hoje a 18,00euros) e que paguei em 12 prestações, o que era muito dinheiro para quem ganhava 960$00 por mês.
A aldeia mais próximo que tínhamos era Mina do Bugalho. Quanto às condições habitacionais eram mais que indignas. As barracas eram feitas de pedra e barro, as portas eram de tábuas de cofragem e o telhado era de colmo ( palha de centeio malhado). A água para bebermos tínhamos que a ir buscar com um cântaro de barro a uma fonte um pouco distante do Posto, o seu transporte era feito ao nosso ombro. Relativamente à nossa alimentação, cada qual fazia a sua - todos tínhamos um fogareiro a petróleo. As camas eram tarimbas, ou seja, feitas com paus e o colchão era uma esteira com mais ou menos 0,05 metros de espessura.
Era horrível, os guardas casados tinham as mesmas condições. Recordo que houve uma mulher de um colega, de nome João Sanches, que teve que dar à luz numa dessas barracas, porque havia uma ribeira e, quando chovia muito e o caudal de água era grande, ficávamos incomunicáveis. Lembro-me que foi o meu amigo J.Sanches, pai do bebé, que teve que ser o parteiro e assistente da esposa, pois não se conseguia sair dali devido ao caudal da ribeira.
O efectivo do posto: 6 Praças e 1 cabo,comandante do Posto, o srº António Rodrigues Calado, natural de Arronches. No posto existia uma camarata, com 6 camas, que só era utilizada pelos 2 guardas de serviço. Era o plantão que tinha que fazer toda a limpeza do posto, tinha que ir buscar o cântaro cheio de água e permanecia 24 horas de serviço no Posto, depois à noite tinha um apoio que era denominado de pernoita, que fazia 12h00 de serviço. Entrava às 20h00 e saía às 08h00 do dia seguinte. Depois seguia para ir ao correio a caminho da Mina do Bugalho. O mínimo de horas de serviço que fazíamos eram de 12h00 diárias sempre fardados e só tínhamos um dia de descanso (folga) quinzenal, mas mesmo assim tenho grandes recordações da grande camaradagem e amizade que reinava nesta grande Família que era a GUARDA FISCAL. O efectivo deste Posto era o cabo Calado, J.Sanches , J.M.Carrilho, A.Transmontano, Herminigildo Varela, A.S.Castelo e eu José Jorge.

Um abraço a todos os picachouriços.
José Jorge

domingo, 21 de novembro de 2010

Instalações da Guarda Fiscal na Fronteira de Vila Verde de Ficalho - a caminho da ruína





"Um povo que não sabe preservar o seu passado é um povo sem horizontes de futuro."
Quantas histórias de vida não guardarão as paredes desta fronteira: vidas de guarda fiscais, de emigrantes, de gente do contrabando, gente raiana, turistas, fugitivos e refugiados da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial ....

Com ou sem controlo de passageiros e mercadorias, a fronteira de um pais é a fronteira de um país, passe a redundância. É como que o seu cartão de visita. Estas imagens ilustram bem o cartão de visita que oferecemos a quem, agora, passa por Vila Verde de Ficalho.
Fotos enviadas por José Euzébio.


A propósito inserimos a foto deste camarda Guarda Fiscal. Desconhecemos o seu nome, mas sabemos que a fotografia foi tirada em Vila Verde de Ficalho no dia 26 de Julho de 1935,




Companhia de Serpa da Guarda Fiscal - instalações ao abandono


Foto das antigas instalações da Companhia se Serpa da Guarda Fiscal. Actualmente ao abandono.
Foto enviada por o nosso colaborador José Euzébio.

Posto Fiscal de Vila Nova de São Bento



O camarada José Euzébio enviou-nos esta foto do Posto Fiscal de Vila Nova de São Bento, a cerca de 20 quilómetros da fronteira com Espanha. Actualmente, as instalações são ocupadas pelo Posto Territorial da GNR.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Posto Fiscal de Vale de Grou, Secção de Safara, instalações das famílias dos guardas fiscais - 1932 (presume-se)


Mais uma excelente foto do espólio do Sr. Tenente Seixas, enviada pelo seu neto o Sr. Eliseu Seixas Aguiar.

Pela observação das toscas "habitações", feitas com as suas próprias mãos e com os recursos existentes nos arredores do posto onde prestavam serviço, podemos imaginar quão dura era a vida dos guardas fiscais e suas famílias nesta época.

Se na foto destas instalações em torno do posto de Russianas, publicada em post anterior, a construção das paredes parecia ser feita com base em terra amassada (tipo taipa), já aqui o material usado são, apenas, pequenas pedras sobrepostas, uma técnica de construção que ainda é visível em antigos muros de protecção de propriedades. Os telhados, aproveitando a vegetação local, eram de colmo/palha.
___________________

O nosso amigo e colaborador, José Jorge, enviou-nos por e-mail um excelente comentário alusivo a este tipo de construções. Dado o interesse do mesmo transcrevê-mo-lo abaixo:

"Não é de estranhar estas construções, pois em 1964,na mesma secção de Safara, Posto Foz dos Pardais, as nossas habitações também as paredes eram de pedra solta e os telhados eram de colmo. Para quem não sabe o que é colmo, é palha de centeio, as portas eram de tábuas de cofragem e as chaves das portas era um pedaço de arame ou cordel, amarrado pelo exterior, quando estávamos dentro das barracas eram trancadas com um pau pelo interior. Em 1965 na Secção de Mourão, Posto das Ferrarias, os telhados também eram de colmo,aliás eu já enviei para picachouriços, fotos do referido Posto das Ferrarias."


O endereço para as fotos do Posto de Ferrarias é: http://picachouricosgf.blogspot.com/2009/09/posto-gf-abandonado-e-casa-dos-guardas.html

domingo, 17 de outubro de 2010

Exposição "Guarda e República" foi feita justiça à Guarda Fiscal

Foto publicada em :http://guardafiscalorg.blogspot.com/2010/10/guarda-fiscal-na-exposicao-guarda-e.html



Em tempo, denunciámos o que, na nossa perspectiva, tinha sido um acto de afronta e de encobrimento da verdade por parte dos organizadores da exposição " A Guarda e a República" ao não fazerem referência, por mínima que fosse, ao papel da Guarda Fiscal na implantação da República, designadamente nas operações militares do 31 Janeiro de 1981, no Porto, e do 4 e 5 de Outubro de 1910, em Lisboa. Tanto mais que a GNR, que organizou a exposição, tem por Lei, a responsabilidade de preservar a memória histórica da Guarda Fiscal. Daí o nosso título de então: Exposição "A Guarda e a República" no quartel do Carmo: uma vergonha!

Tivemos agora notícia pelo site "Guarda Fiscal- memória" que a exposição a Guarda e a República se encontra novamente patente ao público, agora no Ministério da Administração Interna, e que nela foram integradas várias peças museológicas referentes à acção da Guarda fiscal na implantação da República, nomeadamente o estandarte do Batalhão nº 3, Porto, pela sua actuação na Revolta do Porto de 1891 e a quem foi concedido o Grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.

Está também presente, entre outros, uma escultura de um guarda fiscal. Chamamos a atenção para esta escultura onde se pode ver o "nosso" velho blusão azul, impermeável, com capuz. Porquê esta referência? Porque foi a primeira peça de vestuário, deste género, empregue por uma força de segurança em Portugal e veio marcar uma mudança significativa no tradicional fardamento das polícias, dando-lhe um aspecto mais "arejado" e de acordo com o tempo.

Resta-nos acrescentar que não foi só ao Batalhão nº 3 que foi dada a condecoração do Grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Como já noticiamos em post anterior, e com imagem enviada pelo sr. Sílvio Maldonado, aquando da centenário da GF, o Presidente da República, General Ramalho Eanes,concedeu à Guarda Fiscal o título de Membro-Honorário da mesma Ordem.

Foi feita justiça à Guarda Fiscal.

Estão, pois, de parabéns os organizadores da Exposição.

domingo, 10 de outubro de 2010

FALECEU O ÚLTIMO COMANDANTE GERAL DA GF - GENERAL HUGO DOS SANTOS




Faleceu no passado dia 05 de Outubro, data comemorativa dos 100 anos da implantação da República, o último Comandante Geral da GF, General Hugo dos Santos. Talvez "ofuscada"pelas comemorações do centenário, a sua morte passou, ingratamente, quase despercebida nos órgãos de Comunicação Social.


Não deixa deixa de ser significativo que no Centenário da República tenha desaparecido um dos militares que, arriscando a sua carreira, participou no golpe de 25 de Abril de 1974 que deu origem à II República e ao actual Estado de Direito Democrático.

Último comandante da única e centenária força de segurança que tinha prevalecido desde os tempos da Monarquia, ficou associado à sua extinção em 1993. Figura controversa, mas de nobres ideais, foi considerado persona non grata por muitos guarda fiscais que lhe atribuem, quanto a nós injustamente, o fim da GF.

E se é certo que a extinção foi uma decisão política de que são principais responsáveis, Aníbal Cavaco e Silva, Dias Loureiro e Oliveira e Costa, não deixa de ser verdade que no caso de Hugo dos Santos a solidariedade e fortes princípios éticos, que se dizem apanágio dos militares, foram esquecidos, pois a extinção da GF e a integração como BF na GNR foi engendrada nas suas costas, nomeadamente pelas chefias da GNR de então.
Perante tal quadro de hostilidade, ou de traição, por parte de alguns dos seus camaradas de armas, a sua demissão foi um acto de nobreza e a única resposta possível, embora, como saibamos, essa decisão tenha sido prejudicial para todo o efectivo que ficou sem o seu Comandante. Comandante que tinha obrigação de continuar a defender os seus militares enquanto não fosse completamente realizada a integração na GNR e nos outros serviços e forças de segurança.

Enquanto Comandante da GF tomou algumas medidas polémicas, contudo é da sua lavra a reorganização da instituição e a implementação do sistema LAOS para vigilância da fronteira marítima. O sistema LAOS usava tecnologia de ponta e era um dos sistemas de vigilância costeira mais avançados do mundo, que se traduziu pela detecção de muitas toneladas de mercadorias contrabandeadas.

Lembramos que Espanha, então, não tinha equipamento que se assemelhasse ao usado pela Guarda Fiscal e o LAOS era motivo de orgulho para Portugal e alvo de "inveja" por parte de nuestros hermanos. Hoje Espanha "ri" dos meios usados pela actual UCC. A GNR deixou de pagar a manutenção do equipamento herdado da velha GF que está todo, praticamente, inoperacional ou sofrendo de forte "miopia". Com a extinção de muitos destacamentos, subdestacamentos e postos na orla costeira, com a operacionalidade baixa dos velhos equipamentos, centenas de quilómetros de costa são deixados à guarda de uma única patrulha auto, sem qualquer equipamento de visão nocturna, numa situação que só encontraremos paralelo antes de 1885.

É também com Hugo dos Santos que se dá uma forte incentivo à investigação das infracções fiscais, especialmente do contrabando, com a modernização das FINT, Forças de Intervenção, que passaram a ter viaturas descaracterizadas e pessoal que trajava sempre à civil para melhor cumprir essa missão. Mercê desse trabalho, a GF introduziu-se no seio das redes contrabando, com pessoal infiltrado e investigadores fora do país, nomeadamente no norte de África.

Esta actuação veio colidir com os "interesses" da PJ e começou a retirar-lhe protagonismo, nomeadamente nas apreensões de droga e tabaco. Há quem defenda que a extinção da GF foi "sentenciada" por ter "desafiado" a PJ nesta área sensível.

Esperamos que com o passar do tempo a verdade seja aclarada e seja reconhecido ao General Hugo dos Santos o devido valor enquanto comandante da GF.


No dia em que o nosso último comandante faleceu, passou a estar disponível on-line um excelente site sobre a Guarda Fiscal, fruto do trabalho dos Senhores Coronéis Gamboa Marques e Victória. Congratulações aos autores que assim, indubitavelmente, homenageiam o General Hugo dos Santos e a GF . O link já se encontra, ao lado, neste nosso blog.










domingo, 3 de outubro de 2010

Posto de Russianas - Barrancos - 1932 - Instalações de famílias de guarda fiscais


Mais uma excelente fotografia do espólio do Sr. Tenente Seixas, gentilmente enviada pelo seu neto, e nosso estimado colaborador, o Sr. Eliseu Seixas Aguiar.

Em nossa opinião, esta é uma das fotografias mais "ricas" que até hoje recebemos, porque ilumina de um ponto de vista histórico-sociológico a vida penosa dos guarda fiscais e suas famílias, que, devido aos locais inóspitos onde eram colocados e a um horário de serviço que, praticamente, só lhes permitia afastarem-se da área do posto no período de férias anuais, os obrigava a construirem com as suas próprias mãos e com os materiais que a natureza ali disponibilizava os lares para viverem com as suas famílias.

Já tínhamos ouvido várias descrições destes casebres construídos em torno dos postos e das suas parcas condições, surge agora esta foto a confirmá-los.

sábado, 2 de outubro de 2010

Guarda Fiscal continua bem viva no espírito dos que a serviram



Os anos passam mas a amizade continua e os militares que serviram a
Guarda Fiscal como legítimos herdeiros do seu historial jamais o
querem ver apagado no tempo.
E aí estão eles uma vez mais juntos no seu 17º Convívio vindos do
Minho ao Algarve e tambem da Madeira num total aproximado de 450
presenças. Este ano serviu de palco uma Quinta paradisíaca da Sobreda
da Caparica no passado dia 18 de Setembro. Foi um dia bem preenchido,
como tem sido nosso apanágio ,com relevo para a solenidade da Missa
campal celebrada num dos seus Jardins.
Foi contagiante ver uma vez mais colegas já encostados à sua
bengalinha mostrar aos mais novos que vale a pena estar presente junto
dos amigos , embora curvados por força dos anos, para recordar com
saudade aqueles velhos tempos do calcorrear de caminhos agrestes da
fronteira cumprindo a árdua Missão de vigiar e evitar atropelos à Lei.
São estes que incutem ainda aquela força para continuar, pelo menos
uma vez por ano, a lembrar a dádiva dos melhores anos da nossa vida
numa luta sem tréguas para vencer um inimigo que procurava sempre
descobrir novas técnicas para nos levar de vencida.
São estes Convívios, pois ,que nos levam a recordar com amizade e
muita saudade tempos que não voltam mais.
Almejando já o próximo ano para nos reencontrarmos ficou marcado o dia
17 de Setembro na linda cidade alentejana de Portalegre que nos irá
receber,estou certo, de braços abertos. Até lá !




Luís Infante